“E se…”, Ep.19 – O Hospital Adiado

O HOSPITAL ADIADO
O Hospital da Compaixão em Miranda do Corvo é algo que me deixa perplexo. Custou 7 milhões de euros, foi construído com dinheiro da Fundação ADFP e uma pequena parte da Câmara Municipal de Miranda do Corvo. Está pronto a funcionar. Tem equipamento do mais avançado que existe. Mas não tem autorização para abrir, nem o SNS responde sobre os necessários protocolos que permitam que o hospital preste serviço numa região de interior. Ainda esta semana o Governo apresentou uma pacote de quase 500 milhões de euros para atrair pessoas para o interior, prometendo incentivos de quase 5 mil euros por pessoa. Pois aqui está uma medida bem mais simples e mais barata: baste permite que bara o Hospital da Compaixão. De certeza que vai atrair mais gente para o interior, pois essas pessoas vão sentir-se mais apoiadas e seguras nessa complicada decisão de mudar para o interior.

O “E se…” é um programa que faço para o COIMBRA CANAL com a realização de Rijo Madeira 🙂

“E se…”: A cheia e a incúria

Infelizmente, mais uma vez, todo o vale do Mondego sofreu mais uma cheia que destruiu bens, meios de produção industriais e agrícolas, afetou transportes e deixou com o coração nas mãos vários milhares de pessoas. Tudo isto, para além de desanimador, é absolutamente desesperante. É verdade que no Inverno chove e, apesar de darem nomes fofinhos às intempéries, os efeitos do mau tempo podem resultar em estragos significativos. No entanto, construiu-se há cerca de 40 anos um sistema, denominado Empreendimento de Fins Múltiplos do Baixo Mondego, que visava controlar a natureza rebelde do rio Mondego e seus afluentes, evitando assim as cheias frequentes que alagavam a cidade de Coimbra e as populações até à Figueira-da-foz. Esse sistema, apesar de muito bem pensado, não é, nem poderia ser, infalível, mas foi planeado para ser capaz de evitar a maioria das situações que davam origem a cheias.
Na verdade, desde que entrou em funcionamento, e enquanto o sistema era novo (não eram críticos os efeitos de ausência de manutenção), não houve problemas de maior. No entanto, em 2001, regista-se de novo uma grande cheia em todo o vale do Mondego.

Nessa altura, assim como nas cheias seguintes de 2016 (duas consecutivas nesse mesmo ano), os relatórios de análise da situação apontavam causas gravíssimas:

1) Total ausência de manutenção do sistema, o que, como é fácil de entender, potenciava falhas nos equipamentos, e com isso eventos graves de cheias e perdas de bens materiais, para além de colocar em risco a vida humana, por deficiente funcionamento do sistema;

2) O facto de ser uma obra inacabada, isto é, não tinham sido regularizados, como fazia parte do projeto original, os vários afluentes do Mondego, faltavam equipamentos (por exemplo, das 6 bombas de alto débito planeadas para estar a jusante do açude e que deveriam retirar do rio aproximadamente 500 m3/s de água, só uma tinha sido instalada);

3) O facto de ser uma obra com 40 anos, projetada num determinado cenário, tendo em conta a ocupação do território e as opções tecnológicas da altura. Todas as obras de engenharia têm de ser avaliadas, de tempos a tempos, revisitando os projetos, de forma a adaptá-las à nova realidade e melhorar o seu desempenho tendo em conta novas soluções tecnológicas. Em 40 anos, para além de não ser mantido, este empreendimento não foi revisitado;

4) O facto de não existir nenhuma entidade de gestão que permitisse garantir as tarefas acima mencionadas, mas também monitorizar o rio e os seus afluentes e instalar sistemas de vigilância essenciais para uma resposta célere, segura e eficaz. Uma entidade de gestão que tivesse ainda a autoridade necessária para avaliar qualquer obra que fosse planeada na sua área de intervenção, acautelando assim a eficácia global do sistema;

5 ) Não foi ajustada, à medida da evolução dos tempos e das novas circunstâncias, a forma como eram/são geridas as barragens do Mondego, nomeadamente a Aguieira, exigindo parâmetros de gestão não somente economicistas e mais adaptados ao dia-a-dia das populações. Por exemplo, existem relatos, não confirmados, de que nesta cheia de 2019, a barragem da Agueira esteve em risco sério de colapso. O que torna incompreensível o cancelamento, em 2016, da Barragem de Girabolhos. Na verdade, essa barragem, que fazia parte do plano original de intervenção no rio, foi cancelada em 2016, também, por este ministro que agora queria mover aldeias. O presidente da Endesa, Nuno Ribeiro da Silva, diz que a obra não avançou em 2016 por “pressão política” do Bloco de Esquerda e do Partido Ecologista Os Verdes, que queriam rever os termos do acordo que já tinha sido assinado. É importante que isso seja esclarecido com urgência.

Acresce que o rio Mondego, por exemplo, sofreu obras de desassoreamento em 2017 e 2018. No entanto, os inertes removidos do leito do rio foram usados para fazer um aterro gigantesco a jusante do açude e uma parte para uma nova praia fluvial a norte do açude. A QUERCUS alertou nessa altura para a insensatez desse aterro, fazendo vários avisos de que os efeitos seriam os de potenciar novas cheias e dificuldades nas terras a jusante de Coimbra. Bateram na porta errada, ninguém lhes ligou. As consequências estão à vista.

Para além disso, com incêndios, ausência de limpeza das matas, total desordenamento da floresta, etc., os resíduos florestais, matéria ardida, etc., vão parar ao rio sempre que as condições climatéricas são adversas. Basta ver a quantidade enorme de árvores partidas que o rio transportava, muitas das quais são ainda visíveis nos pilares da Ponte Pedonal, da ponte de Santa Clara e no Açude. Tudo isso contribuiu para esta cheia, para a pressão sobre os diques e para o colapso de todo o sistema.

Ao contrário do que disse o insensato Ministro do Ambiente, que, depois de ter autorizado um Aeroporto Internacional no estuário do Tejo, queria mudar de sítio as aldeias de Montemor, não precisamos de mudar as aldeias de sítio. Precisamos que aprendam que não podem construir em leito de cheia, que temos de respeitar o rio, mas acima de tudo, que temos todos de exigir que o sistema de engenharia desenhado para o controlar seja revisitado, revisto, finalizado, mantido, gerido e monitorizado. Isso é essencial para o nosso futuro e não pode continuar desta forma. São os cidadãos que o têm de exigir, pois por iniciativa das autoridades públicas isso não irá acontecer, como os factos demonstram.

Texto publicado no Diário As Beiras de 28 de Dezembro de 2019

Agradecimentos: Miguel Franco e Álvaro Cadima, pela cedência de imagens.

Workshop sobre Indústria 4.0 na FCTUC

Durante o Workshop em Indústria 4.0 organizado na Universidade de Coimbra, com a participação da Indústria e da Academia. Esta é uma área estratégica para a UC, bem identificada pela sua unidade UC Business. Na foto, o painel final com Marco Reis (Engenharia Química, organizador), Enrique Del Castillo (Penn State University, USA) e César Toscano (INESC TEC).

FCTUC – Universidade de Coimbra – UC Business

Concurso de Inovação – EMAF

We organize the EMAF Innovation Contest since 18 years ago.

The EMAF (biggest Portuguese industrial exhibition in Mechanical Engineering, Robotics and Machines) intends to reinforce the R & D and innovation components of the event, highlighting its crucial importance for the development of the production technology industry. In this framework, it launched the challenge for all EMAF exhibitors to participate in the 9th Innovation Competition, in a partnership with J. Norberto Pires and Revista Robótica. Intended for the exhibitors registered in the EMAF, the competition evaluates the aspects of design, originality and operationality of the products presented.

More details here: http://www.jnorbertopires.pt/emaf-innovation-contest/

Indústria 4.0: Uma ideia estratégica para Coimbra

Este programa foi gravado durante da apresentação do livro “Controlo e Automação Industrial – Indústria 4.0” que se realizou no dia 16 de Maio, na livraria Bertrand (Centro Comercial ALMA em Coimbra). O E se…é um Programa de J. Norberto Pires, para o Coimbra Canal, com a realização de Rijo Madeira.

Este episódio, pela relevância das intervenções, reflete uma visão e uma estratégia industrial e de cooperação universidade-indústria para Coimbra

Um dos assuntos em que penso que Coimbra tem condições para ter um papel relevante é o da estratégia nacional para a Indústria 4.0. Envolvi-me em inúmeras iniciativas em consórcio, liderei e/ou fiz parte de vários grupos de trabalho que visavam construir competência, agregar pessoas e iniciativas diferenciadoras, individualmente demonstrei interesse neste assunto, reuni financiamento (nacional e comunitário), procurei agregar grupos nacionais e estrangeiros, constituindo consórcios competitivos, e apresentei realizações.

A região de Coimbra, no entanto, foi deixando passar o barco. Outras regiões, como por exemplo Braga e Guimarães (Universidade do Minho), como muito menos trabalho inicial realizado, tomaram a dianteira e, associados a grandes grupos económicos (como a Bosch, por exemplo), apresentam-se como pontas de lança de uma estratégia que tem enorme potencial científico, industrial e de criação de emprego.

Seria importante que as entidades que gerem a região, nos aspetos científicos, técnicos, formativos e operacionais, fossem capazes de a pensar a médio e longo prazo, identificando as oportunidades, os investimentos e a capacidade de definirmos estratégias que permitam desenvolver e diferenciar a região.

Ao invés, vivemos em pequenos mundos, cheios de pruridos e preconceitos, isolados uns dos outros, incapazes de perceber que neste rumo, nesta indiferença, tudo nos passará ao lado, sucessivamente, num caminho que terá como resultado o que é já evidente: a irrelevância.

A indústria portuguesa é uma indústria de nicho. Nunca será, até pela dimensão do país, uma indústria de produção em larga escala. Nessa perspetiva, dependeremos sempre, e ainda bem, da competência humana, do saber fazer com qualidade, aliando aspetos tecnológicos digitais, robotizados e automáticos, com aspetos que exigem intervenção humana em considerável escala.

Os mercados para que respondemos e dirigimos os nossos produtos, procuram diferenciação, qualidade e um conjunto de mais-valias que recomendam a incorporação de trabalho humano. Estão, por isso, preparados para pagar mais por essa qualidade e diferenciação.

Consequentemente, uma estratégia nacional para a Indústria 4.0 deve incorporar os objetivos de países como a Alemanha, Japão e países asiáticos, por exemplo, mas realizando uma estratégia adaptada aos objetivos que queremos atingir.

Nessa perspetiva, tecnologias em que nos podemos diferenciar, como a fabrico aditivo / impressão 3D de metais e cerâmicas técnicas, aplicados a inovadores processos de fabrico, deveriam merecer uma atenção especial da CCDRC, da Câmara Municipal, mas especialmente da Universidade e do Politécnico.

Este programa é um contributo para essa estratégia que urge desenvolver. Foi realizado durante a apresentação do livro “Automação e Controlo Industrial – Indústria 4.0” e conta com a participação de:

Amilcar Falcão – Reitor da Universidade de Coimbra

Luís Simões da Silva – Vice-Reitor da Universidade de Coimbra

Ana Lehmman – Professora da Universidade do Porto e ex-Secretária de Estado da Indústria

António Mira – Diretor da Automação e Indústria da Siemens Portugal

Ricardo Patrício – CEO da Active Space Automation

Frederico Annes – CEO da Lidel

J. Norberto Pires – Professor da Universidade de Coimbra

iParque: Coimbra Science and Technology Park

I started with this park in the summer of 2007, when the project was basically an idea. Under my administration, we prepared all the projects, obtained the necessary funds and kick-started the construction. We also designed all the communication plan and made the first agreements with companies that choose iParque to be their location. We also planned the incubator/accelerator of the park, along with its services for companies, and obtained the necessary funds to built it.

Check details HERE.

Bellow, video of the presentation of the park (2010) where we had the visit of two Secretaries-of-State: Science (Leonor Parreira) and Innovation (Carlos Oliveira).

Competitividade disruptiva: uma estratégia para o futuro

No dia 27 de Junho estarei na conferência “Competitividade disruptiva: uma estratégia para o futuro“, organizada pelo Portugal Financial Forum com o apoio do Jornal Económico, entre outras entidades (ActivTrades, Axians e ISCAP – Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto).

Num mundo globalizado a luta pela competitividade não dá tréguas, daí que hoje não faça sentido falar apenas em ser mais competitivo mas sim em ser o mais competitivo.

Com os primeiros passos a serem dados na nova revolução tecnológica, que promete ser mais célere e violenta que qualquer uma das suas antecessoras, é importante criar uma estratégia para Portugal não ficar desde logo para trás.

Disrupção que contudo não é a única fonte de maior valor acrescentado, pois apesar do elevado grau de desenvolvimento, existe ainda um longo caminho a percorrer para suprir as falhas de valores e organizacionais, que obstaculizam a que a economia nacional seja mais competitiva.

Serão estes os temas actuais e prementes que os nossos convidados e audiência irão debater, fomentando assim a literacia económica e financeira, ferramenta essencial para uma sociedade mais capacitada.

Mais informação e programa em:

https://www.portugalfinancialforum.pt/porto/

“E se…” Perguntas sobre a Maternidade de Coimbra

Recentemente, um grupo de trabalho nomeado pelo Governo apresentou um relatório em que recomendava a construção de uma nova Maternidade em Coimbra, no espaço dos atuais Hospitais da Universidade. Outras opções, como reinstalar os atuais serviços no Hospital dos Covões, na maternidade Bissaya Barreto ou no Hospital Pediátrico foram liminarmente afastadas. A decisão, prontamente anunciada pela ARS do Centro e pelo PCA dos CHUC, na presença do Ministro da Saúde, é de tal forma estranha que causou de imediato polémica. Na verdade, quem conhece minimamente o espaço dos HUC, cheio de trânsito, sem estacionamento, com gravíssimos problemas urbanísticos no espaço circundante, sobrelotado, estranhamente desorganizado e onde são frequentes todo o tipo de situações médicas nos serviços de urgência e de ambulatório, nomeadamente gravíssimas infeções resistentes, não poderia deixar de estranhar como é que se pretende instalar uma maternidade naquele espaço. Os argumentos ainda eram mais estranhos, pois centravam-se na segurança das grávidas e recém-nascidos, aparentemente dependente da proximidade física aos serviços de emergência (blocos operatórios e serviços de cuidados intensivos) e da capacidade de mobilizar rapidamente várias especialidades. Projeta-se então construir 13.000 m2 na zona leste dos HUC, ocupando o atual espaço da enfermaria masculina da psiquiatria e de uma enfermaria de neurologia. No referido relatório nada se dizia sobre novos blocos operatórios, salas de parto ou unidades de recobro, mas, depois de algum debate, passou a dizer-se que, afinal, existiriam espaços independentes dessas tipologias dedicados à nova maternidade. Como nada disso está no projeto apresentado, começamos já com uma originalidade que é ter um deslize orçamental ainda antes de a obra começar. Ou será que se prevê é mesmo compartilhar espaços assistenciais com os usados pelos doentes do resto do hospital? Pelo meio lançaram-se números assustadores: 20% das grávidas estariam em risco e, pasme-se, de um momento para o outro o funcionamento das maternidades existentes, ainda há pouco considerado de excelência, passou a ser classificado de “criminoso”.
As minhas perguntas começam aqui, depois de ter ouvido muita gente, entre profissionais de saúde, políticos, cidadãos em geral, incluindo aqueles que são um pouco de tudo isto.
1) Se as maternidades têm de ser reorganizadas e fundidas, por que razão não podem ser usadas as instalações da Bissaya Barreto? Se é necessário construir um novo bloco e até unidades de recobro à parte, porque não se faz isso na maternidade? Quem tem de se deslocar são os especialistas sempre que necessário. E os mesmos deveriam ter meios de transporte rápido para percorreram os poucos mais de 500 metros entre os HUC e a Bissaya Barreto.
2) Dos 20% de eventos registados em grávidas, quantos são exatamente não antecipáveis, graves e emergências? E desses, quantos não poderiam ser resolvidos, com total segurança, numa maternidade renovada em instalações e meios humanos?
3) Por que razão não pode a nova maternidade ser instalada nos Covões, que tem todas as condições para a acolher, incluindo blocos já montados e unidade de cuidados intensivos, e ainda as condições necessárias para os utentes e seus familiares: enfermarias, espaço, estacionamento, etc.?
4) O que leva a comissão a preferir o espaço sobrelotado dos HUC, construindo mais um edifício, a soluções bem mais simples, aparentemente mais seguras e talvez menos onerosas? E como ou onde vai reinstalar os serviços que remove dos HUC? Por exemplo, a psiquiatria vai de novo ser estigmatizada para um getto, como o antigo pediátrico ou para o Sobral Cid, ou vai, em parte, ser encaixada noutros lados, proporcionando assim mais um downsizing disfarçado de inovação?
5) Se a presença nos HUC é essencial por uma questão de proximidade a cuidados intensivos e outras especialidades no caso das grávidas, o que dizer de todos os serviços desconcentrados dos HUC que funcionam um pouco por toda a cidade e não têm essa proximidade? Não interessam? Não necessitam? Serão aqueles serviços dedicados a velhos, incuráveis ou descartáveis, já com a morte no horizonte das suas vidas? Qual é a razão desta diferença de tratamento? Não deveria o cuidado ser igual para todos? Não deveria a tal comissão, que “resolve” liminarmente todos os problemas de ordenamento e de circulação sobrelotada da zona com a proposta de construção de um silo auto, considerar as consequências para os doentes dos serviços deslocalizados?

Estas perguntas, e muitas outras, fui fazendo durante as últimas semanas e não obtive resposta. Gostava de ter resposta e gostava de lembrar que a saúde é de tal forma importante para Coimbra e para todos os cidadãos que não pode, de forma alguma, estar somente na mão de alguns.

Presença na 21ª hora, TVI24

No dia 21 de Setembro estive na TVI24 num debate sobre os incêndios de Outubro de 2017. Tentei colocar as coisas nos seus devidos lugares, apontei as falhas do Estado a nível nacional, regional e local, e tentei ser pedagógico. Há explicações a dar, nomeadamente sobre a desorganização e incapacidade de estar no terreno com proximidade e rigor.

Pode ver o programa aqui.

Londres

As cidade de Londres e de Coimbra parecem incomparáveis. Na verdade, têm:

1) Dimensão muito distinta;
2) Realidades muito distintas: Londres é uma das capitais europeias por excelência;
3) Atividade e competência na sua gestão também muito distintas.

Então o que há a dizer?
Londres, apesar de tudo isto, da visibilidade, da dimensão, etc., aposta fortemente na capacidade de instalar empresas, atrair empreendedores, mostrar que se prepararam para o investimento, que pensam nele, que o desejam… investem, têm programas específicos, não atuam com a barriga cheia, nem como um Lord que tem tudo… apostam no futuro, com humildade, com vontade de se renovarem…

Comparem com Coimbra, a cidade que já quis ser capital de tudo, que se comporta como um Aristocrata falido.

O London Invest ajudou, só em 2016, quase 300 empresas internacionais a instalar-se em Londres. Compare com COIMBRA.

Veja o site: http://business.london/invest

Veja o Guia de atração de investimento: http://files.londonandpartners.com/…/london-setting-up-guid…

Custa aprender?

Nota: muito do que aqui está definido era algo que pretendia fazer com o Invest-Centro, em 2012. Um programa que tentei lançar mas que foi sabotado pelo Governo da altura.

Link: https://www.facebook.com/jnorbertopires/videos/vb.1437371018/3071406110944/?type=3

Uma vida que ardeu, uma esperança que é necessário reconstruir

Oliveira do Hospital ardeu depois de Pedrógão. Morreram muitas pessoas, várias famílias ficaram destruídas e isso nunca ficará bem e nunca se resolverá. São marcas que ficam para a vida toda, são memórias que voltam, de tempos a tempos, e atormentam.

O que ardeu foi praticamente tudo. Ardeu a floresta e espaço verde de lazer. Na verdade, o verde praticamente desapareceu.

(9º episódio do programa “E se…”, um programa que faço para o COIMBRA CANAL, com a realização de Rijo Madeira)

Arderam as empresas e o emprego de muita gente. Depois das mortes, este é o drama mais significativo.
Os custos associados a estes incêndios medem-se em vidas perdidas, famílias destruídas, floresta perdida, negócios arrasados e um efeito muito significativo na esperança num futuro melhor. De tudo, apesar de certas coisas não terem solução, o mais difícil de recuperar é o ânimo necessário recomeçar tudo de novo. Esse é o maior custo, porque apesar de tudo a vida continua, e aquele aspeto que merece uma atenção muito especial.

Os incêndios deste verão mostram um país desorganizado e impreparado para estes eventos naturais. O “E se…” quis mostrar essa realidade, deixando claro que é nossa obrigação garantir que vamos construir um país que estará preparado e é solidário com quem é atingido pela calamidade. E essa é uma resolução que todos temos de tomar e realizar.
Exige-se que o Governo e as entidades regionais percebam que esse processo de reconstrução exige incentivos muito significativos, de pelo menos 85%. Eu diria que o país tem a obrigação de apoiar quem perdeu tudo e quer renascer, produzir e criar emprego.

Ouvimos os empresários que nos falavam de uma discriminação negativa de Oliveira do Hospital, referindo que o apoio prometido pelo Governo teria aqui um incentivo (70%) menor do que em Pedrógão (85%). Não percebemos a discriminação, nem a aceitámos. Aliás, consideramos que os incentivos deveriam ser até superiores a 85% nos dois locais, pois estes incêndios mostraram também uma completa falência do Estado e dos serviços de proteção civil.
Tem a palavra o Governo e a CCDRC.

Esperamos que o Senhor Presidente da República esteja atento ao que está a acontecer e atue no sentido de acelerar os apoios e garantir que se efetuam com a dimensão necessária.

Apresentação em vídeo: INDÚSTRIA 4.0 e IMPACTO SOCIAL

Este vídeo faz parte de uma apresentação com o mesmo nome sobre a Indústria 4.0 e a necessidade de pensar os impactos sociais, nomeadamente a pressão no emprego e nos salários. para além dos slides da apresentação, o vídeo contém imagens de vídeos públicos da GTAI (German Trade and Invest), da Volkswagen e da Intel, e que foram usadas para ilustrar conceitos associados à Indústria 4.0.

Ver mais em: http://www.jnorbertopires.pt/2017/11/16/industria-4-0-as-oportunidades-os-desafios-e-o-impacto-social/

“E se…” do Coimbra Canal: os primeiros 8 episódios

“E se…” é um programa de televisão sobre Coimbra que faço no Coimbra Canal com a realização de Rijo Madeira. Foram vários os temas já abordados, procurando mostrar aspetos que deveriam merecer a atenção de todos os que gostam de Coimbra.

 

No 1º episódio falamos de espaços de localização empresarial

 

No 2º episódio falamos sobre a baixa de Coimbra

 

No 3º episódio o tema foi o “Convento de Santa-Clara-a-Nova e a Bela Adormecida”

 

No 4º episódio o tema foi “Imagine um concelho que se preparou para o investimento”

 

No 5º episódio o tema foi “A praxe: receção aos caloiros”

 

No 6º episódio foi “Nos próximos 20 anos… REALIZAR”

 

No 7º episódio o tema foi “A rua da sofia e um futuro por realizar”

 

No 8º episódio o tema foi “Coimbra com futuro: Active Space “

 

Fique atento. O “E se…” publica um episódio todas as semanas.

Coimbra com futuro: Active Space Automation

(8º episódio do Programa “E se…”). Um programa que faço para o Coimbra Canal, com a realização de Rijo Madeira)

A região de Coimbra tem sido capaz de gerar tecnologia e negócios que se distinguem no mundo. São vários os exemplos de empreendedores, empresas e produtos que têm o nome de Coimbra de alguma forma associado. No “E se…” vamos falar dessas pessoas, dessas empresas e desses produtos. A ideia não é mentir e dizer que está tudo bem. A ideia é contar a verdade, mostrar que com a estratégia certa, com a capacidade coordenar os vários atores da região, com a capacidade de incentivar os motores de desenvolvimento, Coimbra tem condições para fixar empreendedores, atrair e fixar atividade económica e construir soluções que podem fazer a diferença nas várias áreas de atividade.

Hoje vamos ver o exemplo da Active Space Automation, uma empresa recentemente criada como spin-off da ActiveSpace Automation – empresa criada há cerca de 13 anos e que se dedica a sistemas para o ESPAÇO.
A indústria pede sistemas de transporte para armazenamento e para ambiente produtivo.
Em armazém, por exemplo, existem várias tarefas a automatizar e que estão essencialmente ligadas ao transporte de peças para armazenar ou para constituir uma encomenda que, entretanto, foi efetuada. Um grande armazém com, por exemplo, a AMAZON ou o ALIBABA têm uma movimentação frenética que precisa deste tipo de máquinas.

De uma maneira geral, qualquer armazém com encomendas online beneficia muito de uma operação deste tipo que automatize e agilize a cadeia logística.

Em ambiente produtivo, isto é, para tarefas de alimentação de linhas com as peças necessárias, transporte de produtos semiacabados, armazenamento intermédio e final, etc., os AGV são também muito usados.

Em Coimbra, uma empresa aceitou o desafio de entrar neste mercado. Criou um AGV que pode ser utilizado em todas essas tarefas.

A empresa é a Active Space Automation e o AGV é o ActiveONE.

A Active Space Automation tem 14 trabalhadores (50 no total da Active Space) e espera faturar cerca de 700 mil euros em 2017 (3 milhões no total da Active Space). Está localizada em Taveiro e tem excelentes condições para desenhar, projetar, construir e comercializar soluções que utilizem esta tecnologia.
Capacidade de projeto em 3D.
Capacidade de desenvolvimento de eletrónica.
Capacidade de soluções de controlo.
Meios de produção de protótipos.
Capacidades de teste.

Uma equipa jovem e fortemente motivada para este tipo de soluções.
Um dia (em 2015), com um protótipo, abordaram uma grande empresa (A AutoEuropa) e prometeram que teriam um produto em breve. Cumpriram prazos e ganharam um parceiro.

Mas o que é o ActiveONE?
É um AGV, filo-guiado, isto é, que segue um trilho eletromagnético colocado no chão (o trajeto), de construção nacional e que pode ser usado nas soluções mais exigentes: é preciso, rápido (1500 mm/s), com elevada capacidade de autonomia (em operação normal as baterias não precisam de carga durante mais de 7-8 horas), capacidade de movimentação de carga até 800 kg, ligação em rede sem fios, etc.

Deixo-vos com o ActiveOne e com a Active Space Automation. Este produto, estes empreendedores e esta empresa são um exemplo do que Coimbra pode fazer e como pode liderar mesmo nas áreas mais exigentes. São um bom exemplo de visão, de capacidade de fazer parcerias, da capacidade de realizar e mostram um vislumbre de uma região onde as coisas acontecem.

E se Coimbra estivesse focada nessa ideia de criar as condições para projetar e produzir as soluções tecnológicas do futuro?

Não seria tudo diferente?

A Rua de Santa Sophia e um FUTURO POR CUMPRIR

A Rua de Santa Sophia e um FUTURO POR CUMPRIR

Uma rua fantástica, com história e um potencial fabuloso: A Rua de Santa Sophia, de Coimbra (atualmente, Rua da Sofia). É esse o tema do 7⁰ episódio do “E se…”, um programa que faço para o COIMBRA CANAL, com a realização de Rijo Madeira.

O rei D. Dinis criou em 1290 uma Universidade Portuguesa, dando origem a uma instituição que é hoje a universidade mais antiga do país e uma das mais antigas do mundo. O documento de criação da universidade dá origem ao Estudo Geral que é reconhecido nesse mesmo ano pelo Papa Nicolau IV. Essa Universidade começou a funcionar em Lisboa, mas foi transferida definitivamente para Coimbra em 1537 por ordem de D. João III. A vida da Universidade prossegue em Coimbra, com várias peripécias até atingir aquilo que é hoje: uma universidade internacional, clássica, com forte imagem em Portugal e no Estrangeiro, fruto do prestígio dos seus docentes, alunos, investigadores e da atividade científica e cultural que realiza.

Não é sobre a Universidade de Coimbra que vos quero falar, mas sim de uma das ruas mais antigas da europa e que esteve na génese da Universidade de Coimbra e é hoje património mundial da UNESCO: a Rua da Sofia.

A transferência da universidade portuguesa de Lisboa para Coimbra está relacionada com a necessidade de lhe dar um novo impulso. Os anos de funcionamento em Lisboa levaram a uma certa acomodação do corpo docente, não se desenvolveram colégios de apoio com a função de realizar estudos propedêuticos, como o rei esperaria que tivesse acontecido, o programa de estudos não estava alinhado com os vetores essenciais do humanismo cristão de vanguarda e existia uma grande quantidade de alunos portugueses que procuravam escolas estrangeiras para estudar, nomeadamente, Salamanca, Alcalá (uma pequena cidade situada a nordeste de Madrid), Bolonha, Florença, Paris, entre outras. D. João III, reconhecendo o problema, decidiu então criar em Coimbra um dos “grandes centros culturais da península”, transferindo para esta cidade, construída nas margens do rio Mondego, a universidade portuguesa.

O rei dispunha de importantes fundos financeiros para lançar o projeto universitário na cidade de Coimbra. Na verdade, tinha iniciado uma importante reforma (espiritual e material) do Mosteiro de Santa Cruz, nomeadamente da Ordem dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho ou Cónegos Regulares da Ordem da Santa Cruz, libertando assim para sua gestão os abundantes rendimentos que estes geravam. Tinha nomeado em 1527 como reformador da respetiva congregação o frade da Ordem de São Jerónimo Frei Bás de Braga, com a missão suplementar de restaurar os Estudos do Mosteiro de Santa Cruz. Mandou vir de Paris dois Doutores, Pedro Henriques e Gonçalo Álvares, que gozaram de tal fama como professores que Frei Brás criou, no interior do Mosteiro, dois colégios: O Colégio de São Miguel (dedicado aos filhos dos nobres) e o Colégio de Todos os Santos (dedicado aos mais pobres). Mais tarde, em 1544, o Prior-Geral (D. Dionísio de Morais), mandou construir, no topo da Rua da Sofia (no local que é hoje o Centro de Artes Visuais e o Pátio da Inquisição), edifícios para os dois colégios, os quais seriam mais tarde (1547) requisitados por D. João III para instalar o Colégio Real das Artes e das Humanidades.

O Mosteiro de Santa Cruz desenvolvia vários estudos no seu interior, que no essencial são os embriões de um futuro estudo superior. Desempenham aqui papel importante os estudos públicos de artes que se iniciaram em 1534-35 e os estudos dos Colégios de Santo Agostinho e de São João Batista, instalados no interior do Mosteiro e para os quais se tentou um modelo à imagem da escola parisiense (limitados a estudos de Artes, Teologia e Medicina). A dinâmica do Mosteiro de Santa Cruz levou a pensar na construção de uma infraestrutura urbana para acomodar os estudos a criar junto ao Mosteiro. Foi assim que nasceu a ideia de uma rua nova, virada a norte, com início no Mosteiro de Santa Cruz, muito larga (13 metros) e cerca de 500 metros de comprimento, que tivesse colégios de um lado (nascente) e edifícios de rendimento do outro (poente). O desenho definitivo dessa rua ficou definido em setembro de 1535, depois de vária troca de correspondência entre D. João III, o reformador Frei Brás de Braga e o arquiteto do Rei em Coimbra, Diogo de Castilho.

Os planos iniciais para esta rua são os de aí realizar o essencial da Universidade, pois D. João III pretendia construir no início da rua um Colégio de São Jerónimo e um edifício letivo central. No entanto, quando em 1537 se transfere a universidade portuguesa para Coimbra parece haver uma mudança de planos: o Rei D. João III separa os estudos do Mosteiro de Santa Cruz da universidade, nomeando um Reitor (D. Garcia de Almeida) independente de Santa Cruz e definindo que o edifício sede já não se construiria na baixa. A preocupação era, talvez, a de preservar a autonomia da universidade.

Em setembro de 1537, o rei determina que as novas escolas gerais se instalassem na alta da cidade, fazendo, no entanto, algumas cedências ao reformador Frei Brás de Braga (pois dependia financeiramente do dinheiro gerado em Santa Cruz): a maior parte dos estudos instalavam-se nos paços reais da alta, enquanto que os estudos de artes e teologia ficavam em Santa Cruz.

O loteamento da Rua da Sofia começa em 1538, no que se refere à parte de prédios de rendimento e em 1541 no que se refere aos colégios. Avançariam vários colégios, dos quais podemos dar nota na atual Rua da Sofia. Mas antes disso, em 1544, com a nomeação do frade da Ordem de São Jerónimo Frei Diogo de Murça como reitor da universidade, deu-se início ao processo de unificação da universidade, transferida de Lisboa, com os estudos de Santa Cruz. Isso acontece em 1545, quando D. João III ordena que todos os lentes de medicina, teologia, artes e latim, mudem para os paços reais da alta.

Nessa altura, avançava a ideia de concentrar na alta da cidade os estudos superiores e na baixa os cursos propedêuticos/preparatórios de artes e humanidades. Uma ideia que reconvertia o projeto da rua da sofia, agradava a Frei Brás de Braga e tinha sido delineado entre D. João III e André de Gouveia, um docente muito prestigiado que dirigia o Colégio da Guiana em Bordéus e tinha sido reitor da Universidade de Paris. Assim, a Rua da Sofia deveria acomodar principalmente colégios de ordens religiosas que tinham especial interesse nesse tipo de estudos. Os colégios seculares que estavam então em fase de instalação foram transformados em colégios de ordens religiosas. Por exemplo, o Colégio da Graça, dos eremitas calçados de Santo Agostinho, iniciou a sua construção, com projeto de Diogo Castilho, em 1543.

O Real Colégio das Artes e das Humanidades, instalado nos edifícios dos Colégios de São Miguel e de Todos os Santos (local onde hoje é o Centro de Artes Visuais e o Pátio da Inquisição), iniciou-se em 1547 e era um edifício que deveria ter amplas salas de aula e albergar estudantes de vários estratos sociais. O ensino visava a formação moral e humanística dos jovens, sendo ministradas matérias como a teologia, dogmática, escrituras, gramática, retórica, poesia, matemática, grego, hebraico, lógica e filosofia, além de ler e escrever. O Colégio das Artes está na génese do atual ensino secundário. As aulas começaram em 1548, tendo registado um elevado sucesso com cerca de 800 alunos logo no primeiro ano.

No entanto, a existência do Colégio das Artes não foi pacífica por disputas internas de mestres parisienses e bordaleses. Na verdade, André Gouveia tinha sido nomeado para dirigir o Colégio das Artes, trazendo consigo uma equipa de notáveis professores portugueses e estrangeiros. De entre estes destacam-se João da Costa, Diogo de Teive, António Martins, George Buchanan, Patrick Buchanan, Nicolas de Grouchy, Arnaldo Fabrício, Guillaume Guérante e Élie Vinet. O contraste entre os princípios humanistas dos “bordaleses”, liderados por André de Gouveia, e a visão ortodoxa defendida pelos “parisienses”, liderados por seu tio Diogo de Gouveia, viria a provocar alguns atritos. Esses atritos tornaram-se muito sérios com a morte de André Gouveia em 1548, pelo que D. João III entregou, em 1555, a gestão do Colégio das Artes aos jesuítas. Estes tinham iniciado a construção do primeiro colégio jesuíta do mundo na alta da cidade (o Colégio de Jesus, onde funciona hoje o departamento de Ciências da Terra), pelo que transferiram, em 1565, o Colégio das Artes para um edifício a construir ao lado do respetivo colégio. Com esta mudança, a Rua da Sofia perde toda a sua funcionalidade, pois todos os cursos, superiores e intermédios, passam a estar localizados na alta da cidade.

Apesar disso, os colégios da Rua da Sofia que já tinham sido estabelecidos foram-se construindo, sendo possível encontrar ainda muitos deles na atual Rua da Sofia.

Colégio Novo de Santo Agostinho (atual Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação) – 29: apesar de não se situar na Rua da Sofia, tem um impacto visual muito significativo nessa rua (fica situado a meia encosta no extremo sul da rua).

Mosteiro de Santa Cruz – 31.

Antigo Colégio das Artes, Pátio da Inquisição, Centro de Artes Visuais – 21 (de João de Ruão e Diogo Castilho, 1547).

Colégio do Espírito Santo ou de São Bernardo, privado – 22 (Claustros de Miguel de Arruda, 1541).

Colégio do Carmo – 23 (1540)

Colégio da Graça– 24 (1543, Igreja e Claustro de Diogo de Castilho)

Colégio de São Pedro, atualmente uma casa de saúde – 25 (1540)

Colégio de São Tomás, onde hoje é o Tribunal de Coimbra – 26 (Diogo de Castilho, 1543)

Colégio de São Boaventura, privado e com espaços comerciais – 27 (1543).

Os Colégios de São Tomás, de São Boaventura e de São Domingos são os únicos que foram construídos do lado poente, como reflexo do fracasso da ideia original para a Rua da Sofia.

A extinção das ordens religiosas em 1834 acabou com a existência dos colégios. Os edifícios foram incorporados no património do Estado, sendo alguns deles vendidos para vários fins.

A história da Rua da Sofia, património mundial da Unesco, é muito rica e está fortemente ligada à história da Universidade de Coimbra. Por isso, quando se discutiu a possibilidade de recuperar e revalorizar os Colégios da Sofia, num debate realizado em 1999, o então reitor, Fernando Seabra Santos, lançou a ideia de constituir na Sofia o Polo 0 da Universidade de Coimbra, transferindo para lá algumas valências universitárias. Essa seria uma forma de fomentar a gigantesca tarefa de dar um novo propósito à Rua da Sofia que, de alguma forma, recuperasse a ideia original de meados do século XVI.

Um bom exemplo, é o que tem sido feito no Colégio da Graça e que urge acelerar.

A Rua da Sofia merece, pela sua importância histórica, ser reabilitada, assim como os vários colégios que ainda existem. Faria também sentido que a sua história fosse mais visível, mais visitável e mais promovida. A história da universidade portuguesa está um pouco naquela rua, naqueles edifícios, na sua arquitetura e nas histórias que têm para contar. E se Coimbra pensasse na reabilitação histórica, monumental e funcional da Rua da Sofia, dando-lhe também uma dimensão turística relevante? Não se esqueçam que os edifícios do lado poente eram edifícios de rendimento, um propósito que pode também ser explorado transformando, de novo, a Rua de Santa Sophia num importante local comercial e económico da cidade de Coimbra. E se pensássemos nisso?

Referências

  • Rui Lobo, A Universidade na Cidade, Tese de Doutoramento, Universidade de Coimbra, 2010
  • Rui Lobo, “A Rua da Sofia em Coimbra. Um património a repensar”, Revista Proyetar la Memoria, 2014
  • Site da Universidade de Coimbra: http://www.uc.pt/ruas/inventory/mainbuildings
  • Outros links referidos expressamente no texto.

 

 

Opinião

Opinião

(esta secção está em atualização, pois são centenas de textos a organizar. Sempre que terminar um dos items coloco o TAG completo)

Os meus artigos de OPINIÃO e intervenção cívica estão espalhados pelos vários órgãos de comunicação social com os quais colaboro/colaborei. A saber:

Em defesa da prudência e do bom-senso

Em defesa da prudência e do bom-senso

(Artigo publicado no Público de 14 de Fevereiro de 2017)

Este texto reflete, no essencial, a intervenção que fiz numa sessão de debate sobre a Eutanásia promovida em Coimbra, em setembro de 2016, na qual tive a oportunidade de manifestar as minhas preocupações, incertezas e a angústia que este tema me provoca. Publico agora esta reflexão porque penso que se deve ter um debate muito claro, aberto e que permita defender a vida, sempre em primeiro lugar, mas também a dignidade de cada um.

  1. Este assunto da “morte assistida”, provocando a morte a pedido do paciente (Eutanásia Ativa Imediata), que eu não confundo com suicídio assistido, é um assunto que me incomoda e é em mim mesmo muito controverso. Encontro com facilidade razões que me fazem compreender e defender decisões de solicitar Eutanásia Ativa Imediata, mas confesso que também encontro com facilidade razões em sentido contrário, e me vejo assaltado por preocupações que me fazem hesitar e contemporizar. Tudo isto me deixa inquieto, faz-me perceber bem as preocupações dos outros e me sugere muita prudência e bom-senso. Voltarei a esta questão um pouco mais à frente.
  2. No entanto, defendo com convicção que há um conjunto de direitos, liberdades e garantias que assistem a todos os seres humanos, mesmo nas situações que nos deixam mais inquietos. A sua colocação em prática é merecedora de ponderação, bom-senso, sentido ético e profunda reflexão sobre o significado e valor da vida humana, por forma a obter textos legislativos que não firam os direitos individuais, mas também deixem tranquilos e confortáveis todos os outros cidadãos.
  3. Afirmo, por principio, que todos têm direito a morrer com dignidade e que essa dignidade é essencialmente determinada pelo individuo (não esquecendo que vive em sociedade e tem obrigações para com ela, mas também com a sua família e amigos), isto é, todos têm o direito de morrer em paz consigo mesmo, com os outros e essencialmente sem sofrimento. Assim como têm o direito de viver exatamente da mesma forma.
  4. Todos os adultos na posse das suas capacidades mentais, independentemente de qualquer restrição de nacionalidade, religiosa, ética, política, profissional, etc., que se encontrem num estado insuportável, relacionado com doença incurável, devem poder dispor de várias opções que lhes permitam determinar o momento e a forma como termina a sua vida sem incorrer em crime. Deve ainda ser permitido que determine, através de uma “Declaração Antecipada de Vontade”, essa sua vontade mesmo antes de se manifestarem os efeitos dessa doença: estou a pensar, por exemplo, em doenças degenerativas que removem a capacidade cognitiva, para além da física. Considero que cada individuo tem o direito de definir aquilo que considera digno, manifestando que não quer continuar vivo quando esses limites forem ultrapassados.
  5. Por princípio, considero que deve ser deixada a cada indivíduo, nas condições referidas, a decisão sobre o momento e a forma da morte, assumindo que essas decisões, devidamente avaliadas, não provocam distúrbio social.
  6. Ou seja, dizendo isto de outra forma, a vontade de um determinado individuo, nessas condições e depois de informado sobre o diagnóstico, sobre o prognóstico e sobre tudo o que a ciência e o Serviço Nacional de Saúde (SNS) pode fazer para o ajudar e minorar os efeitos dessa doença (incluindo a dor), deve ser respeitada como uma expressão da sua liberdade e dos direitos-humanos de cada um.
  7. Em alguns países, na Bélgica, por exemplo, é permitido aceder a um programa de eutanásia ativa imediata em situações comprovadas de sofrimento mental insuportável que não pode ser aliviado (não responde a tratamento). Vi muitos exemplos de sofrimento deste tipo resultante de trauma pessoal, perda de entes queridos, etc., para os quais tenho muitas dúvidas sobre o enquadramento nas condições acima definidas. A existência de comissões de acompanhamento, de prazos mínimos entre o incidente que provocou o trauma e a possibilidade de enquadrar a eutanásia, etc., não me tranquilizam relativamente à possibilidade de tudo isto deslizar para abuso. Estas situações não devem, portanto, ser previstas numa eventual lei sobre este assunto.
  8. Vi outros casos de total incapacidade física, como por exemplo do caso bem conhecido de Tony Nicklinson em Inglaterra, um paciente que sofria de locked-in syndrome, uma doença degenerativa que provoca a paralisia de praticamente todos os músculos voluntários do corpo (à excepção dos olhos), nos quais considero que existem razões para enquadrar nas condições anteriores para permitir eutanásia ativa imediata.
  9. Tudo isto coloca de forma muito clara a possibilidade aterradora de processos de desvalorização da vida humana por pessoas que, apesar de estarem em sofrimento, revelam estados obsessivos que tendem a concentrar-se numa só solução, ignorando todas as outras. Isto parece ser comprovado pelos dados de crescimento muito acentuado de eutanásia na Holanda, na Bélgica, no aparecimento de casos estranhos que provocam muitas dúvidas e até relatos de situações de eutanásia que não foram documentados e que revelam alguma ligeireza. Tudo isto é muito preocupante e deve-nos fazer parar para pensar e aprender com experiências de outros países: a legislação belga, por exemplo, é muito exigente e, aparentemente, não conseguiu evitar abusos e desvios que não são aceitáveis.
  10. Apesar de tudo, estas situações podem ser resolvidas limitando o acesso a Eutanásia Ativa Imediata a doentes terminais ou com diagnóstico comprovado de doença degenerativa incapacitadora. Deve funcionar aqui a Declaração Antecipada de Vontade.
  11. Considero que a primeira prioridade em tudo isto deve ser a de garantir que o SNS e o Estado proporcionem as melhores situações de manutenção da vida, sem distanásia, recorrendo sem limitações a cuidados paliativos e permitindo a cada um a opção e a esperança de dias melhores. A primeira opção de todos tem de ser a vida e a renovação da esperança.
  12. O Estado deve sempre, e com prioridade, encorajar as pessoas a viver, permitir-lhes as melhores condições de esperança (sem limitações financeiras), mas também compreender que em certas situações, devidamente tipificadas e recorrendo à “Declaração Antecipada de Vontade”, se deve respeitar o direito de cada um a dispor sobre o momento e a forma da sua morte.
  13. As preocupações que referi anteriormente são essencialmente preocupações com vulnerabilidades que possam desvirtuar a ideia de uma “boa morte” e liberdade de opção.
  14. A primeira preocupação é conhecida como “slippery slope”, isto é, uma preocupação com o abuso, o alargamento dos casos em que a eutanásia ativa imediata é permitida e a respetiva extensão para situações dúbias. Aliás, esta preocupação é também legislativa e processual, pois muitos consideram, e a meu ver bem, que para obter uma legislação muito permissiva basta começar por uma lei restritiva, pois é mais fácil ir introduzindo alterações e mais exceções a uma lei que já existe, tornando assim progressivamente mais permissiva, do que avançar com ela de raiz.
  15. A segunda preocupação é conhecida como vulnerability risk, isto é, uma preocupação que tem por base o risco da criação de uma potencial pressão sobre os mais vulneráveis (velhos, deficientes, acamados, etc.) que os conduza à eutanásia por considerarem que são um fardo para os outros, foco de instabilidade familiar, etc. Esta é uma preocupação muito relevante que obriga a um cuidado extremo em todo o processo legislativo e de acompanhamento muito eficaz de todas as situações, punindo exemplarmente qualquer tipo de tentativa de abuso.
  16. Por fim, e como já foi referido, a Eutanásia (“boa morte”) é legal em Portugal e é praticada. A única forma de eutanásia que não é permitida é a eutanásia ativa imediata, isto é, aquela que termina com a vida por efeito de fármacos. Outras formas de Eutanásia como “deixar que a doença tome conta da vida do doente até ele morrer porque nada mais há a fazer”, ou “medicá-lo para que não sinta dor e deixá-lo morrer em paz”, são permitidas e são praticadas em Portugal. Isto é, este tipo de Eutanásia, ou de “boa morte”, é o que os bons cuidados médicos e a medicina paliativa podem proporcionar aos que lhes tenham acesso. Esta opção tem de ser garantida a todos os pacientes, sendo para mim incompreensível que se debata a eutanásia sem primeiro garantir que o acesso a cuidados paliativos é generalizado e não tem limitações de nenhum tipo.
  17. Isto significa que tem de existir garantia e cobertura de bons cuidados médicos e paliativos para todos os doentes do SNS. E essa é a primeira prioridade. A verdade é que, segundo dados da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos, a taxa de cobertura varia entre os 38% e os 40%, dependendo se estamos a falar de cuidados paliativos agudos ou não-agudos, respetivamente. E isso é muito insatisfatório, pois não permite configurar essa ideia de opção e liberdade, pré-configurando situações de eventual abuso e pressão sobre os mais vulneráveis, até financeiramente.
  18. Ter uma “boa morte”, morrer com dignidade, é uma ideia consensual em Portugal.
  19. A Eutanásia Ativa Imediata não pode ser, nem isso é pretendido, uma solução para o sofrimento intolerável, mas antes mais uma opção para quem vive esse sofrimento. A opção será sempre entre um programa de cuidados paliativos, disponível em primeira opção, e a eutanásia ativa imediata para situações de sofrimento e perda de dignidade de vida para aqueles que conscientemente optarem por isso.
  20. O receio sobre a prática da distanásia não pode ser argumento para Eutanásia Ativa Imediata. Na verdade, a distanásia pode perfeitamente ser resolvida com a Declaração Antecipada de Vontade. Faz parte integrante de um processo legislativo sobre Eutanásia que a assumpção clara de que o direito a recusar distanásia é absolutamente elementar.
  21. Cada indivíduo tem o direito de dispor sobre a sua vida. No entanto, e sem prejuízo disso mesmo, é necessário distinguir muito bem a capacidade para tomar essa decisão. Os mecanismos de verificação dessa capacidade devem estar bem definidos e devem ser alvo de acompanhamento.
  22. Considero com toda a convicção que o “direito inalienável à liberdade” se aplica em matérias de proteção da vida.
  23. O processo legislativo deve prever mecanismos, com comissões de acompanhamento em cada hospital, que impeçam todo o tipo de abuso.
  24. Todos os hospitais devem ter condições para cuidados palietivos e devem acompanhar todos esses doentes, criando “comissões de cuidados paliativos”, até porque é necessário: a) informar e fazer pedagogia sobre os cuidados paliativos; b) combater a distanásia; c) promover o acesso generalizado aos cuidados paliativos.

Consequentemente, debater este assunto tem de ser feito com ponderação e bom-senso. Não é, nem deve ser, uma bandeira política de nenhum partido ou organização política. É um assunto angustiante que mexe com as nossas convicções, com aquilo em que acreditamos e com a forma como encaramos a vida. Merece a serenidade da reflexão, a compaixão pelo sofrimento dos outros, mas essencialmente, merece o nosso envolvimento firme – percebendo que é necessário agir – para com a liberdade e o inabalável respeito pela dignidade de vida de cada um. Sem certezas absolutas, sem radicalismo, sem conservadores versus progressistas, com prudência e muito bom-senso. Espero, com sinceridade, que este seja o início de um debate que precisa de tempo e do envolvimento de todos para poder ser profundo. Considero, por fim, que qualquer decisão sobre este assunto deve ser tomada no parlamento, eventualmente na próxima legislatura para dar tempo aos programas políticos de refletirem posições sobre este assunto, e não deve ser alvo de nenhum referendo, o qual tenderia a radicalizar posições e a incluir populismo numa decisão que deve ser serena e ponderada.

Por favor não contribuam para um estado de loucura

Por favor não contribuam para um estado de loucura

(artigo publicado no Jornal Público de 24 de novembro de 2013)

Li estupefacto a notícia sobre o corte de relações entre as Universidades e o Governo.

Já tinha dito isto várias vezes e repito: muitos dos que nos governam, e muitos dos que nos querem governar, passam a vida com os olhos no passado, ignoram o presente e não têm uma ideia de coletivo, necessariamente de longo prazo, vivendo num desesperante curtíssimo-prazo concentrados no centro geométrico do seu próprio umbigo. Não pode ser esse o caso das Universidades, do Ensino superior e da Ciência.

Espero muito mais das Universidades, dos Reitores e do Ministro. A solução não pode ser deixar de conversar, não apresentar razões e forçar decisões, cortar relações ou, sequer, fazer qualquer tipo de pressão deste tipo. Portugal precisa de conversar e debater o que quer para o futuro. Sem dogmas e sem verdades feitas. Tem mesmo de repensar a sua vida. E isso faz-se falando, discutindo, confrontando argumentos, envolvendo a população.

Cortar relações é um comportamento inaceitável a este nível.

Não esclarecer ou não clarificar devidamente, as vezes que forem necessárias, as razões de uma medida, mesmo que seja de emergência, é também incompreensível.

Não debater, envolvendo todos, é repetir no erro.

Qual erro?

O erro que temos vindo a perpetuar.

Tudo em Portugal é feito em circuito fechado. Com uns quantos, tidos como elites em cuja sabedoria é suposto que confiemos. E tem sido assim, sempre assim. Mesmo quando verificamos que as elites nos lixam, e pensam é nelas, nos seus grupos de pressão e na interminável lista de “compromissos” que foram colecionando. Mesmo quando, finalmente, verificamos que aquilo que “idealizam” não tem nada a ver com a realidade, a tal que eles nunca conheceram devidamente porque nunca se preocuparam com isso, mas sobre a qual teorizam e decidem, até porque nós também falhamos com o nosso espírito crítico e embarcamos nas facilidades do momento. Mesmo quando verificamos que não são, em muitos casos, elites nenhumas, quer porque são muito novos, ou não sabem nada, ou não têm experiência, ou não têm cultura democrática, ou porque são egocêntricos, ou porque são tudo isso ao mesmo tempo, ou, infelizmente, porque as suas atitudes mostram que não passam de meninos/meninas grandes que nunca cresceram e não têm a dimensão humana, cívica, cultural, de Estado que se exige a quem tem de estar sempre, mas sempre, com os olhos postos no horizonte.

Dizem-nos depois, quando as coisas correm mal, que é preciso MUDAR, deitar fora e fazer de novo, porque afinal estava mal, estava errado, não foi bem pensado. E iniciam um processo interminável de apontar o dedo e enjeitar responsabilidades.

Da minha parte estou farto disto.

Não aceito que mexam uma vírgula na Constituição Portuguesa sem debate, sem envolver todos, sem uma forte mobilização do país.

Não aceito que comprometam mais, e ainda mais, o futuro deste país sem um amplo debate nacional sobre o que queremos ser, para onde queremos ir e sobre as opções reais que temos.

Não aceito verdades feitas, nem factos consumados.

Não aceito que uns garotos, sem mundo e sem vida, me digam que só há um caminho. Eu sei, de vida feita e experiência vivida, que há sempre vários caminhos. E várias consequências e vários riscos.

Por isso, espero dos Reitores, da Universidade e do ministro Crato um comportamento exemplar que tenha sempre, mas sempre, a porta do diálogo escancarada.

Por favor não contribuam para um Estado de Loucura.

O que todos neste processo têm pela frente é um enorme e doloroso desafio. Que têm de enfrentar, reorganizando, tornando mais eficiente e diversificando fontes de financiamento. Colocar esse desafio, de forma correta e contratualizada, é a obrigação do Governo que sabe muito bem que tem na Universidade, e na sua capacidade de inovar e de, efetivamente, mudar, um dos seus maiores e melhores motores.

Espero do ministro Crato esse desafio, proposto, negociado e contratualizado olhos-nos-olhos com as Universidades e o país. É agora o momento.

Professor Universitário

Desenvolvimento e esperança no futuro

Desenvolvimento e esperança no futuro

(Artigo publicado no Público de 9 de Abril de 2012)

Li com perplexidade dois textos recentes sobre o papel das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) no planeamento e desenvolvimento do país. Estou a falar de uma entrevista concedida pelo presidente do Instituto do Território (IT), Rogério Gomes, ao jornal PÚBLICO (13.02.2012) e um artigo de opinião de Pedro Santana Lopes (ex-primeiro-ministro) publicado no jornal Sol (20.02.2012). Não teriam nenhum interesse, dada a ausência de fundamentação, se não fossem de uma gravidade extrema: “as CCDR são hoje um obstáculo ao desenvolvimento”, “tudo ali cai, tudo se atrasa, os processos são obscuros, o incumprimento de prazos é generalizado”, “as CCDR não têm capacidade de gestão dos fundos comunitários…”, etc.

As CCDR, e escrevo com conhecimento de causa, são constituídas por equipas de profissionais dos mais qualificados da administração pública, sendo consideradas pela generalidade, senão pela totalidade, dos agentes locais e regionais, como motores de desenvolvimento eficazes e respeitados. Na verdade, as CCDR tiram partido das relações de proximidade e conhecimento do território para dinamizar e mobilizar os agentes locais no desenvolvimento de projetos em colaboração que exploram sinergias, aumentam a coesão e resolvem os problemas das populações. Nessa perspetiva, e tendo em conta um determinado modelo de desenvolvimento regional, as CCDR são o local certo para gerir fundos comunitários dedicados ao desenvolvimento regional, à competitividade, aos recursos humanos, à valorização de território e à coesão.

E fazem-no com eficiência? Respondo com dados concretos relativos à CCDR Centro (CCDRC): apresenta resultados de execução (~40%) e de compromisso (~85%) de fundos de comunitários alinhados com a média nacional, e tem conduzido operações de limpeza e de reprogramação desde o início do quadro comunitário, como se esperaria de um bom gestor. Para além disso, iniciou em 2012 a avaliação pública dos investimentos feitos, realizando sessões de apresentação de investimentos e impacto por sub-região (verwww.ccdrc.pt).

Acresce que não conheço na CCDRC nenhum caso obscuro, atrasado, ou em incumprimento. É uma acusação inaceitável, por não ter o menor fundamento. Antes pelo contrário, a CCDRC pauta a sua atividade pela transparência de processos, cumprindo prazos e imprimindo à sua atividade a urgência que a vida dos nossos tempos exige. Disso são testemunha os agentes políticos, económicos e sociais da região. A máxima da CCDRC, assim como de todas as CCDR, é a de trabalhar com todos os agentes da região, aconselhando, sugerindo caminhos de ação, encurtando prazos e agilizando processos, no estrito e rigoroso cumprimento da lei. As CCDR são, nessa perspetiva, mais do que centros de reflexão; são motores de promoção e desenvolvimento regional, trabalhando para uma efetiva cooperação intermunicipal que permitem maximizar as mais-valias resultantes da coordenação da ação dos vários agentes da região. Os centros de ação não se anunciam, mas são antes a consequência dos resultados obtidos.

As CCDR devem ainda contribuir para um modelo de descentralização eficaz, isto é, que tenha por base uma efetiva coordenação de ações e que seja construída passo a passo, procurando resolver os problemas de coesão e assimetria das várias regiões. Nisso, mais uma vez, a CCDRC é também eficaz. Foi capaz de organizar e aprovar o Programa Regional de Ordenamento do Território [do Centro] (PROTC), trabalha em proximidade com freguesias e municípios, aconselhando e dando assistência com PDM, finanças, aspetos jurídicos, etc. Produz informação regional que sistematiza a atividade da região, pois sabe que a informação é crítica para uma boa decisão e/ou opinião. Nessa perspetiva, é muito importante referir o DataCentro, o Boletim Trimestral e as várias publicações temáticas e setoriais que produzimos.

Na CCDRC estamos a preparar o próximo quadro comunitário, começando, justamente, por estudar qual a melhor organização sub-regional que permitirá ser mais eficiente na captação de fundos comunitários que ajudem a desenvolver de forma mais rápida e eficiente a região que servimos. O Horizonte 2020 exige uma reorganização das sub-regiões NUTSIII, ganhando dimensão, o que queremos fazer com propostas tecnicamente bem fundamentadas.

As CCDR só servem para complicar? Não, se queremos um desenvolvimento sério, equilibrado e bem sustentado. Agora que complicam a vida de certos artistas, lá isso complicam. E ainda bem.